Histórias de infância dos apóstolos
No Dia das Crianças, que tal lembrar que os apóstolos de hoje também já foram crianças? Antes de ocuparem um lugar entre as Autoridades Gerais, eles fizeram perguntas difíceis à mãe, tiveram medo de piscina, cuidaram de vacas, travessuras, sonharam em ser pilotos e aprenderam grandes lições com os pais.
Na conferência geral de outubro de 2026 e em outras ocasiões, eles abriram o baú de memórias e contaram esses episódios da infância e da adolescência. Reunimos aqui algumas dessas histórias, e esperamos que elas ajudem as crianças (e os adultos) a perceber que Deus conta com todas as idades para fazer a Sua obra.
Presidente Henry B. Eyring: “Por que a vida é tão difícil?”
No discurso “Não temas, que Eu sou contigo” (título em tradução livre), o presidente Henry B. Eyring, primeiro conselheiro na Primeira Presidência, contou que, ainda menino, perguntou à mãe por que a vida era tão difícil. A resposta, dada com um sorriso e com firmeza, ficou com ele: claro que é difícil, porque a vida é uma provação.
Anos depois, ele percebeu que, ao dizer essas palavras, a mãe também passava por provações. Desde menina ela havia sido diagnosticada com doenças que lhe causariam problemas de saúde pelo resto da vida. Mesmo assim, por saber que a promessa “Não temas, que Eu sou contigo” é verdadeira, ela via o Senhor cumprir essa promessa em sua vida.
O presidente Eyring lembrou ainda dos últimos dias da mãe, quando ela ficou acamada. A única imagem no quarto era a do Salvador, colocada onde ela pudesse vê-la da cama. O pai instalou uma cama de campanha ao lado dela no hospital para atendê-la durante a noite e, depois que ela morreu, percorreu a ala do hospital para agradecer e apertar a mão de cada enfermeira que a havia ajudado.
Ele usou a história como evidência de que o Senhor envia discípulos fiéis para ajudá-Lo a cumprir a promessa de socorrer as pessoas em seus momentos de aflição.

Presidente Henry B. Eyring: “Nunca conheci um homem de quem não pudesse aprender algo”
O presidente Eyring cresceu num lar em que ciência e religião conviviam. O pai, o renomado químico Henry Eyring, tratava todas as pessoas com a mesma simplicidade. Certa vez, o filho perguntou por que ele puxava conversa com os frentistas dos postos de gasolina, e ouviu: “Nunca conheci um homem de quem não pudesse aprender algo.”
Presidente Dieter F. Uchtdorf: o batismo na piscina
Em “Unidade centrada em Cristo” (tradução livre), o presidente Dieter F. Uchtdorf, presidente em exercício do Quórum dos Doze Apóstolos, contou que recentemente assistiu, ao lado da esposa, ao batismo de dois bisnetos. Isso o levou a lembrar do próprio batismo, aos oito anos, numa grande piscina pública coberta.
Na hora de entrar na água, o menino só conseguia pensar numa coisa: a piscina estava ficando cada vez mais funda e ele não sabia nadar. Para o presidente Uchtdorf, a lembrança ilustra como o crescimento espiritual raramente é dramático no começo: ele costuma começar aos poucos, com pais amorosos, orações simples e pequenos atos de fé, e depois se multiplica à medida que avançamos pelo caminho do convênio.
Presidente Dallin H. Oaks: o canivete que ficou na vitrine
Quando tinha uns 5 ou 6 anos, durante a Grande Depressão, o presidente Oaks passeava com o pai, o Dr. Lloyd Oaks, pelo centro da cidade. Os dois pararam diante da vitrine de uma loja de artigos esportivos, cheia de iscas de pesca e canivetes. Um menino malvestido olhava a vitrine com vontade. O pai conversou rapidamente com ele, colocou a mão em seu ombro, levou-o para dentro da loja, deixou que escolhesse um canivete e pagou.
“Eu não ganhei um canivete naquele dia, mas ganhei uma lição”, lembrou o presidente Oaks. Na hora, ele se sentiu frustrado, como qualquer menino que vê o presente que achava ser seu ir para outra pessoa. Mas, quando saíam da loja, o pai disse: “Você tem a mim. Ele não tem ninguém.” Mais tarde, ele entendeu como o pai era generoso e sensível às necessidades dos outros. Por causa dessa lembrança, o presidente Oaks passou a dar canivetes a seus filhos e netos.

Presidente Dallin H. Oaks: “Eu serei seu pai”
O Dr. Lloyd Oaks morreu de tuberculose em 1940, quando Dallin ainda não tinha 8 anos. Segundo relato publicado pela LDS Living, o menino correu para o quarto e se ajoelhou ao lado da cama, chorando.
O avô materno o seguiu, ajoelhou-se ao lado dele e disse: “Eu serei seu pai.”
Élder Neil L. Andersen: as manhãs de verão com as vacas
No discurso “Coragem nascida de nossa fé em Jesus Cristo” (tradução livre), o élder Neil L. Andersen, do Quórum dos Doze Apóstolos, contou que cresceu numa pequena fazenda de gado leiteiro. Durante uma época, as cerca de 36 vacas da família ficavam perto de um pequeno cânion. Quase toda manhã de verão, depois da ordenha, ele selava o cavalo e levava o gado até um prado alto para pastar.
Passava o dia inteiro sozinho com os animais e os próprios pensamentos, sem celular, fones de ouvido, música ou mensagens. Ao comparar essa lembrança com os dias de hoje, em que o telefone parece colado à mão e traz uma enxurrada de informações, desinformação e agora até informação artificial, ele concluiu que os tempos mudaram, mas os espíritos não: ainda precisamos de quietude para alimentar nossa fé em Cristo.
Élder Gary E. Stevenson: pêssegos, cerejas e “só mais um discurso”
O élder Gary E. Stevenson, do Quórum dos Doze Apóstolos, falou em “Fruto para fazer feliz” (tradução livre) principalmente às crianças da Primária, e começou com duas lembranças da própria infância.
A primeira: no último discurso da conferência, quando as crianças já estão cansadas e inquietas, ele lembrou que, quando tinha a idade delas, a mãe lhe dizia várias vezes: “Gary, preste atenção e escute. É só mais um discurso.”
A segunda: quando era pequeno, ele adorava frutas e a tradição da família de comprá-las frescas nas barracas de beira de estrada durante a colheita. Uma das barracas era famosa pelos pêssegos, doces e suculentos, e maçãs, cerejas e damascos comprados diretamente do agricultor pareciam ainda mais saborosos.
Na conferência, ele mostrou uma foto sua ao lado do pai diante de uma bancada de frutas. A lembrança serviu de ponte para a visão da árvore da vida, de Leí, e para a ideia de que as verdades do evangelho, como as frutas, ficam doces quando as experimentamos na prática.

Élder Patrick Kearon: planando no céu da Inglaterra
Respondendo ao presidente Uchtdorf, que o provocou dias antes dizendo que seus discursos eram bons, mas tinham pouca aviação, o élder Patrick Kearon, do Quórum dos Doze Apóstolos, dedicou “Jesus vive para erguer” (tradução livre) a uma lembrança da adolescência.
Ele contou que passou boa parte da infância num internato na Inglaterra, olhando para os aviões no céu e sonhando em voar de volta para os pais, que moravam a milhares de quilômetros, na Arábia. Queria ser piloto de caça. Como a Força Aérea Real estava recrutando pilotos e a forma mais rápida de voar era aprender a planar, ele passou parte de dois verões, por volta dos 15 anos, num aeródromo em Oxfordshire aprendendo a pilotar planador, aeronave sem motor que se sustenta ao aproveitar correntes de ar ascendentes.
Dessa experiência, ele tirou a lição central do discurso: assim como no planador é preciso encontrar o ar que sobe, a “sustentação”, e evitar o ar que desce, no plano espiritual também podemos aprender a sentir a sustentação do Espírito e a nos afastar do que nos faz descer. Para o élder Kearon, Jesus Cristo é essa sustentação.
Élder Ulisses Soares: a capela em cima da padaria
Nascido em São Paulo em 1958, o élder Soares conta que a tia mandou missionários à casa da família em 1963. Os pais começaram a frequentar a Igreja num ramo que se reunia no andar de cima de uma padaria. Ele ainda se lembra do calor dos membros misturado ao cheiro de pão fresco.
Em poucos meses os pais se batizaram, e ele, aos 8 anos. Aos 11, já preenchia os papéis da missão, mesmo sabendo que teria de esperar até os 19, e guardava cada centavo do trabalho de meio período para servir.

Élder David A. Bednar: a vidraça quebrada
Criado em San Leandro, na Califórnia, o élder Bednar visitava os avós na fazenda de gado leiteiro e comia romã e melancia no quintal deles. Num dia de brincadeira, quebrou sem querer a vitrine de uma loja perto de casa, e o alarme disparou.
Com medo, escondeu-se debaixo da cama, até que os pais o acalmaram e o ajudaram a pedir desculpas ao dono da loja. O pai, ferramenteiro que não era membro da Igreja, tinha um lugar marcado na parede da garagem para cada ferramenta e, já perto dos 60 anos, ainda corria como “recebedor” para o filho quarterback treinar passes no quintal.
Élder Gerrit W. Gong: a oração de menino
Quando era pequeno, a mãe do élder Gong ficou gravemente doente. Ele orou “com palavras e sentimentos de menino” para que ela vivesse. “As orações são respondidas de formas diferentes em momentos diferentes da vida, mas, naquela ocasião, graças a Deus, senti e soube que ela ficaria melhor”, contou. Desde então, nunca duvidou de que o Pai Celestial ouve as orações.
Presidente D. Todd Christofferson: o pão para a mãe e a oração no Bosque Sagrado
Quando Todd tinha 13 anos, a mãe passou por uma cirurgia importante, parte do tratamento de um câncer. Enquanto o pai ficava no hospital, o menino reuniu os irmãos para orarem por ela. A cirurgia deu certo, mas a mãe ficou com dificuldade para fazer algumas tarefas de casa. Todd sabia que ela adorava pão caseiro e que seria difícil continuar fazendo. Então pediu à avó que lhe ensinasse a assar pão e passou a fazer o pão da família com regularidade, até sair de casa para a faculdade.
Já adolescente, morando em Nova Jersey, ele participou por dois verões do elenco do Pageant de Hill Cumorah, em Palmyra. Lembrando de um antigo bispo, que incentivara os jovens a nunca desistir até ter o testemunho “gravado no coração”, decidiu que ali, no berço da Restauração, buscaria uma confirmação.
Uma noite, depois da apresentação, foi sozinho ao Bosque Sagrado, tirou os sapatos e orou com empenho por uma hora, talvez mais. Nada aconteceu, e ele foi embora decepcionado.
Cerca de um mês depois, lendo o Livro de Mórmon no quarto, em casa, a resposta veio, sem que ele a pedisse: uma confirmação poderosa, sem palavras, sobre o Livro de Mórmon e Joseph Smith.
Hoje ele diz que fica feliz por a resposta não ter vindo em Palmyra, porque, se tivesse vindo, talvez pensasse que é preciso estar num lugar especial para receber resposta. “Se o Pai Celestial me encontrou em Somerset, em Nova Jersey, Ele pode responder às orações de qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo.”
Élder Ronald A. Rasband: o menino que “terceirizava” o cortador de grama
Filho único do casal e caçula de uma família com dois irmãos e uma irmã mais velhos, Ronald Rasband tinha um lado travesso. “Mais de uma vez, minhas professoras da Primária foram falar com minha mãe, que era presidente da Primária da estaca: ‘Esse Ronnie Rasband é um menino danado’”, contou ele. Mas as professoras nunca desistiram dele e sempre o convidavam a voltar para a aula.
A irmã, Nancy, lembra que ele tinha jeito de Tom Sawyer. Quando era a vez de cortar a grama, ela olhava pela janela e via o melhor amigo dele trabalhando no gramado. Na semana seguinte, outro amigo. Ron ficava sentado na varanda, rindo e conversando, enquanto os outros faziam o serviço dele.
O pai dirigia um caminhão de entrega de pão, acordava às 4 da manhã e voltava tarde da noite, e a mãe vendia bonecas de porcelana com renda para ajudar nas contas. “Nunca tivemos muito dinheiro, mas isso nunca afetou minha felicidade”, diz o élder Rasband.

Presidente Dieter F. Uchtdorf: o trem que partiu sem a mãe
No inverno de 1944, um dos mais frios da Segunda Guerra Mundial, o pequeno Dieter tinha só 4 anos quando a mãe, sozinha com os quatro filhos, deixou a casa na Tchecoslováquia e foi para o oeste em um dos últimos trens de refugiados. A viagem, que normalmente levaria um ou dois dias, durou quase duas semanas, com frio, fome e medo.
Numa noite, o trem parou numa estação e a mãe desceu em busca de comida para as crianças, como fazia sempre. Quando voltou, o trem tinha ido embora, com os quatro filhos dentro.
Em plena zona de guerra, sem o marido, sozinha nos trilhos, ela achou que tinha perdido todos eles. Começou a orar e, depois de alguns minutos de desespero, levantou-se e foi de trilho em trilho, até encontrar o trem numa linha paralela, bem longe, para onde tinha sido levado enquanto ela estava fora. A família chegou a Zwickau, na Alemanha Oriental, e se reuniu aos avós.
Foi lá que a avó aceitou o convite de uma senhora para ir à igreja, e toda a família entrou para a Igreja. Aos 8 anos, Dieter foi batizado numa piscina pública coberta. Pouco depois, quando ele tinha 11 anos, a família precisou fugir de novo, da Alemanha Oriental, de um dia para o outro, levando só a roupa do corpo, um pouco de comida e as fotos e os registros da família. Em sete anos, ele já tinha sido refugiado duas vezes.
Élder Dale G. Renlund: a oração no chão frio, na Suécia
Aos 11 anos, na Suécia, o élder Renlund aceitou um desafio do presidente da missão aos jovens do Sacerdócio Aarônico: ler o Livro de Mórmon. O irmão mais velho, Gary, aceitou, e ele também. Uma noite, esperou o irmão dormir, ajoelhou-se no chão frio e orou para saber se o livro era verdadeiro. “Uma calma incrível me tomou, como se eu estivesse ouvindo: ‘Eu venho dizendo a você o tempo todo que é verdade’”, lembrou ele. “Aquilo foi o começo para mim.”

Élder Gerrit W. Gong: a primeira lembrança é dentro de um templo
Quando perguntam ao élder Gong qual é sua primeira lembrança, ele responde que foi num templo. Aos 3 anos, ele foi com os pais e o irmão a uma sala de selamento para ser selado à família.
“Eu tinha 3 anos, então não me lembro de tudo. Lembro da luz. Lembro da reverência. Lembro da paz”, contou durante uma visita à Casa Aberta do Templo de Washington D.C.
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Post original de Maisfé.org
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