Entre duas despedidas: um testemunho de fé
Servi na Missão Brasil Curitiba Sul entre 2022 e 2024. O período de preparação foi muito especial para mim. Eu estava animada, cheia de expectativas, e contei muito com o apoio da minha mãe e da minha avó. Elas tinham medo por não terem muito conhecimento do Evangelho, mas mesmo assim me incentivaram desde o início e sempre acreditaram que servir ao Senhor seria uma das experiências mais importantes da minha vida.
Eu era muito próxima das duas. Minha mãe era minha melhor amiga, minha maior apoiadora. Minha avó era minha segunda mãe, ajudou a criar eu e minha irmã. Elas eram meu porto seguro. Antes de servir missão, eu tinha fé, mas não compreendia completamente quem eu poderia me tornar em Cristo. Durante a missão, senti o Senhor me moldando, me ensinando e transformando meu coração.

Duas perdas em quatro meses
Três meses depois de voltar, eu ainda estava tentando me adaptar novamente à rotina, quando recebi a notícia: minha mãe estava com câncer. Ela sentia dores, mas não sabíamos o que era. Quando descobrimos, foi tudo muito rápido. Parecia que o chão tinha desaparecido debaixo de mim. Foi o momento mais assustador da minha vida. Eu fazia muitas perguntas, porque não imaginava que enfrentaria uma perda tão grande logo depois de um período tão marcante da minha vida.
Quatro meses depois da morte da minha mãe, perdi também minha avó. Foi como viver o luto duas vezes sem ter tempo para respirar. Eu ainda estava tentando entender a partida da minha mãe quando perdi minha avó. Parecia que meu coração não tinha tempo para cicatrizar antes de ser ferido novamente.
O que mais guardo são os momentos simples. Tenho vídeos e fotos, mas o que mais fica são as conversas, as risadas, o carinho, a forma como elas sempre demonstravam amor. Hoje percebo que são essas pequenas lembranças que mais aquecem o coração.

Quando a fé deixou de ser teoria
Quando enfrentamos problemas de depressão e ansiedade, chegamos a pensar que Deus não liga mais para nós, e isso foi um desafio muito grande para mim. Mas entendi que as promessas do evangelho não eram apenas palavras: elas realmente sustentam a gente quando tudo parece perdido.
As promessas do templo, saber que terei minha família para toda a eternidade, me trazem um conforto grande. Lembrar que a morte não é o fim mudou completamente a maneira como enfrentei o luto.
Eu sei que o Senhor me preparou antes, porque ele sabia do que eu iria precisar depois. Hoje tenho a certeza de que Jesus Cristo vive, que ele conhece cada detalhe da nossa história e que nunca nos abandona.
Ainda sinto saudade todos os dias, e acredito que isso nunca vai desaparecer completamente. Mas hoje consigo enxergar esperança onde antes só existia dor. Passei a valorizar muito mais minha família, meu tempo com as pessoas que amo e minha relação com Deus. Minha fé se tornou mais profunda e mais pessoal.
Meu testemunho é que, mesmo nas maiores dores, não estamos sozinhos. A fé não nos livra das dificuldades, mas nos fortalece para enfrentá-las com esperança e confiança no plano de Deus.
Eu diria que Deus não espera que você seja forte o tempo todo. Haverá dias em que você vai apenas sobreviver, e tudo bem. Continue dando um passo de cada vez. Mesmo quando você sentir que sua fé é pequena, Deus continua segurando sua mão. Hoje eu sei, por experiência própria, que a dor não dura para sempre e que, por causa de Jesus Cristo, a separação é apenas temporária. Um dia vamos reencontrar aqueles que amamos.
Esse artigo foi escrito com base no relato de Vitória Rodrigues.
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Post original de Maisfé.org
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